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25 Anos de Marketing B2B no Sul: os 7 Erros que Vejo as Empresas Repetindo

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    Senso Comunicação
  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

Em 2000, quando fundei a Senso Comunicação em Caxias do Sul, o marketing para indústrias era quase inteiramente offline. Catálogo impresso, visita do representante, participação em feiras, anúncio em revista técnica. A internet comercial brasileira engatinhava, e a maioria dos gestores industriais que eu visitava olhava para mim com uma mistura de curiosidade e ceticismo quando eu falava sobre comunicação estratégica.


Vinte e cinco anos depois, a paisagem mudou completamente. O digital transformou a jornada de compra B2B, o LinkedIn virou ferramenta comercial séria, e o comprador industrial pesquisa e decide antes de falar com qualquer vendedor. Mas alguns erros — surpreendentemente — continuam os mesmos.


Atendi mais de 400 projetos nessas duas décadas e meia, em empresas de praticamente todos os setores industriais do Sul: metalurgia, alimentos, agronegócio, embalagens, logística, construção civil, tecnologia. O que se segue não é teoria. É o que vi de perto, repetido com variações em empresas de diferentes portes e segmentos.


Erro 1: Contratar marketing como custo, não como investimento

O sinal mais claro desse erro é quando o orçamento de marketing é o primeiro a ser cortado em períodos de vacas magras. A lógica parece razoável na superfície — em tempos difíceis, corta-se o que não é essencial.


O problema é que marketing B2B industrial tem um ciclo longo. Os resultados de uma ação de conteúdo feita hoje aparecem no pipeline daqui a seis, nove, doze meses. Quando você corta o marketing na crise, está cortando os negócios do ano que vem.


As empresas que cresceram consistentemente ao longo dos anos que acompanhei são aquelas que mantiveram presença e investimento em comunicação mesmo nos períodos difíceis — às vezes reduzindo o volume, mas nunca zerando. Elas saíram de cada crise com mais visibilidade e mais autoridade do que os concorrentes que desapareceram do radar.



Erro 2: Delegar marketing para quem tem "jeito" com redes sociais

Vi isso acontecer em dezenas de empresas: a filha do dono que "entende de Instagram", o estagiário recém-contratado, o assistente administrativo que "tem criatividade". A lógica é que marketing é basicamente fazer posts bonitos — e qualquer um com um celular consegue fazer isso.


Marketing B2B industrial não é gestão de redes sociais. É estratégia de posicionamento, de comunicação e de geração de demanda num mercado complexo, com ciclos de compra longos e compradores que tomam decisões de alto risco. Exige experiência, método e conhecimento do setor.


Isso não significa que pessoas jovens ou sem formação formal não possam fazer marketing excelente. Significa que a função precisa ser tratada com a seriedade que qualquer função estratégica da empresa recebe.



Erro 3: Esperar resultado imediato de ações de marketing de longo prazo

Marketing de conteúdo, SEO, construção de autoridade no LinkedIn, branding — todas essas estratégias têm horizonte de resultado de médio e longo prazo. São investimentos que se compõem ao longo do tempo, como juros sobre juros.


A armadilha é cobrar resultado de mês em mês de ações que precisam de seis meses para mostrar o primeiro sinal e de doze para gerar impacto consistente. O resultado é abandonar a estratégia certa antes de ela funcionar, e ficar trocando de tática indefinidamente sem construir nada sólido.



Erro 4: Ignorar o pós-venda como canal de marketing B2B

Na indústria B2B, o cliente que já comprou é o ativo de marketing mais valioso que a empresa tem — e o mais subutilizado. Um cliente satisfeito que vira estudo de caso, que deixa um depoimento, que indica a empresa para um parceiro ou que reposta um conteúdo no LinkedIn vale muito mais do que qualquer campanha paga.


Pouquíssimas indústrias têm uma estratégia estruturada de comunicação com a base de clientes além do relacionamento do representante comercial. Isso é uma oportunidade enorme que fica na mesa.



Erro 5: Confundir presença com estratégia

Ter perfil no LinkedIn não é estratégia de LinkedIn. Ter um site no ar não é estratégia digital. Publicar post três vezes por semana não é marketing de conteúdo.


Presença sem propósito e sem método gera esforço sem resultado. E o que vejo com frequência é empresas que "fazem marketing" há anos sem nunca ter parado para definir o que estão tentando alcançar, para quem estão comunicando e como vão medir se estão chegando lá.



Erro 6: Subestimar a importância do posicionamento regional

Esse erro é específico para empresas do Sul — e é um dos que mais me incomoda, porque representa uma vantagem competitiva desperdiçada.


Ser do Sul do Brasil não é apenas uma informação geográfica. É um contexto cultural, de relacionamento e de credibilidade que tem peso real nas decisões de compra dentro da região. Compradores industriais gaúchos, catarinenses e paranaenses têm preferência por fornecedores locais quando a qualidade e o preço são equivalentes — pela proximidade, pelo suporte ágil, pela afinidade cultural.


Empresas que comunicam esse pertencimento regional de forma intencional têm uma vantagem que concorrentes de outros estados simplesmente não conseguem replicar.


Erro 7: Não documentar e comunicar os casos de sucesso

Esse talvez seja o erro com maior custo de oportunidade. Empresas industriais do Sul entregam projetos extraordinários todos os dias — soluções criativas para problemas complexos, reduções de custo expressivas, melhorias de processo que transformam a operação do cliente.


E não contam para ninguém.


No B2B, prova social é o argumento de venda mais poderoso que existe. Um case bem documentado — com contexto, desafio, solução e resultado concreto — vale mais do que dez páginas de catálogo técnico. E a maioria das empresas industriais que atendo tem material excelente para dezenas de cases que nunca foram transformados em conteúdo.



Uma reflexão final

Esses sete erros têm algo em comum: todos eles refletem uma visão de marketing como tática eventual, não como função estratégica permanente da empresa.


A mudança que vejo nas empresas que mais cresceram ao longo dos meus 25 anos de consultoria não é de ferramenta nem de orçamento. É de mentalidade. É a decisão de tratar marketing com a mesma seriedade com que se trata produção, finanças e engenharia.


Quando isso acontece, o marketing para de ser custo e começa a ser o motor de crescimento que pode ser.

 
 
 

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